A ciência explica por que vemos a famosa “luz branca” antes de morrer

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A realidade das experiências de quase morte (EQM) sempre foi muito debatida dentro da medicina.

 

Enquanto algumas pessoas relatam terem reencontrado entes falecidos durante o processo, outras simplesmente afirmam terem sido instruídas a caminhar em direção a uma luz branca. Tais experiências ocorrem geralmente em pacientes em morte clínica, que acabam recuperando a consciência. Agora, será que tais experiências são nada mais do que uma visão destes pacientes ou um processo químico de nosso corpo?

 

Experimentos com ratos

Experimentos realizados em laboratórios nos dão uma ideia aproximada da explicação de EQM. Ao analisar a atividade cerebral em ratos próximos da morte, pesquisadores descobriram que eles de fato produzem muitas reações após a morte clínica, incluindo respiração e batimentos cardíacos. A descoberta refutou teorias prévias de que o cérebro em estado de morte clínica para de funcionar completamente, embora estivesse funcionando em “modo automático”.

Estudos feitos com seres humanos

Fazer um experimento semelhante em seres humanos é algo menos simples, uma vez que nossa consciência e funcionamento cerebral são mais complexos. No entanto, em essência, os resultados seriam o mesmo. No momento em que o cérebro deixa de receber oxigênio, desencadeia um mecanismo que provocará a saturação de imagem complexas e rápidas, que produzirão o que as pessoas vêm durante suas EQMs. Normalmente, o cérebro apaga toda essa informação, se a pessoa acordar, de modo que quando o faz, experimenta apenas uma pequena fração das memórias.

 

Algo semelhante a um sonho?

Nosso cérebro normalmente pensa mais devagar do que realmente é capaz de fazer. Isso porque não podemos responder a todos os impulsos, se não ficaríamos saturados de informações. Contudo, quando estamos em uma fase de devaneio, nossa mente desencadeia uma série de imagens, memórias, teorias e eventos vividos ou futuros. Então, para evitar o acúmulo irrelevante, muitas dessas informações são simplesmente apagadas todas as manhãs. Supõe-se que o mesmo aconteça com as experiências de quase morte clínica, embora algumas memórias – como a da luz no fim do túnel – permaneça.

Experiências extracorpóreas

Experiências fora do corpo são outras das características mais relatadas por pacientes que estiveram em morte clínica e sobreviveram. Elas traduzem uma espécie de sensação de abandono do corpo físico. Tal caso poderia simbolizar a ideia da existência do conceito de alma, em que as pessoas saem de seus corpos físicos e se tornam capazes de observá-lo a distância. Isso pode estar relacionado à capacidade de nosso cérebro de completar informações que não possui.

 

O cérebro “inventa” suas próprias memórias

Nosso cérebro é plenamente capaz de preencher lacunas em nossas experiências. Por exemplo, pense na seguinte pergunta: o que você comeu em seu aniversário há dois anos? Certamente seu cérebro te imaginou comendo algum prato específico e concreto, mas que possivelmente sequer é real. Isso porque, tampouco sabemos se realmente vivemos experiências desse tipo.

O “momento-chave

Quando estamos na fase REM do sono (a fase mais profunda), um estado de consciência profunda em que movemos nossos olhos rapidamente, nosso cérebro também trabalha em alta velocidade. Toda a ação é como um carro sem limite de velocidade que viaja em uma estrada reta. Neste ponto, todo e qualquer tipo de situações e informações podem ser geradas, a maioria das quais provavelmente esqueceremos na manhã seguinte. Logo, o ponto-chave aqui é descobrir se isso também ocorre pouco antes da morte. 

 

No entanto, o maior problema entre estas teorias é descobrir quando essas memórias (como a luz branca, por exemplo) realmente acontecem. Elas podem ocorrer pouco antes de uma EQM ou em um momento de anestesia. Sendo assim, estas memórias poderiam ser consideradas uma espécie de sistema de sonhos, que são preenchidos com informações que recebemos por meio de órgãos sensoriais. Considere que os ouvidos de uma pessoa ainda funcionam mesmo quando ela está completamente inconsciente.

A questão da religião

Diferentes estudos realizados com pessoas que passaram por EQMs já comprovaram que a questão da religião é apenas um adendo pessoal. Isso porque, já foi confirmado que independente da crença religiosa de cada um, uma EQM é um processo externo aos pensamentos e experiências prévias.

 

Embora ainda estejamos longe de saber tudo sobre essas reações finais do cérebro, desencadeadas pouco antes da morte, graças à evolução da tecnologia possivelmente poderemos em breve receber informações diretas de um cérebro, incluindo o que uma pessoa “sente” quando morre ou até mesmo uma imagem do que ela vê.

[ Para los Curiosos ] [ Foto: Reprodução / Para los Curiosos ]

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