Especialistas de 18 países participam de curso sobre Sensoriamento Remoto em Foz do Iguaçu

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Especialistas de 18 países participam de curso sobre Sensoriamento Remoto em Foz do Iguaçu

Profissionais, gestores de recursos hídricos e técnicos de instituições governamentais e agências de toda a América Latina e Caribe (além de Bélgica e Inglaterra) estão participando no Parque Tecnológico Itaipu (PTI), em Foz do Iguaçu (PR), de um curso sobre a aplicação do sensoriamento remoto para suporte à gestão de recursos hídricos.

A capacitação é promovida pela Fundação PTI – por meio do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) – em parceria com o Programa Hidrológico Internacional da UNESCO, Flanders UNESCO e a ARSET-NASA, um programa da renomada agência espacial voltado para treinamentos na área do sensoriamento remoto.

Entre os temas abordados está a aplicação de técnicas de sensoriamento remoto para monitorar eventos extremos, como enchentes e secas, conforme explica Koen Verbist, especialista da Unidade de Sistemas Hidrológicos e Escassez Hídrica do PHI-UNESCO:

“O enfoque do curso, do treinamento internacional, é especificamente utilizar as ferramentas satelitais de sensoriamento remoto para o manejo de recursos hídricos, especificamente com foco nos extremos hidrológicos que são as secas e inundações, e outros temas em questão, voltados para recursos hídricos. Independente do país, se é grande ou pequeno, a informação é essencial para todos. Todos os países da América Latina tem alguma deficiência em algum setor de manejo desse recurso, tanto em pequenas ilhas do Caribe, quanto países grandes como o Brasil. Queríamos trazer experiências de alto nível, como dos Estados Unidos, que são lideres sobre o tema. Então queríamos aproveitar esse curso para trazer o que ultimamente vem sendo desenvolvido”.

Ana Prado, da ARSET-NASA, explicou os objetivos do curso e a importância do compartilhamento das informações relacionadas ao tema:

“Nesse treinamento vamos compartilhar conhecimentos de como utilizar as imagens disponibilizadas pela NASA, para melhorar a gestão de recursos hídricos nos países aqui representados. Muitos países da América Latina e Caribe tem problemas com água que são bastante prejudiciais, podendo ser pela seca ou pelas inundações. As imagens produzidas pela NASA são gratuitas. Qualquer pessoa do mundo pode ter acesso, podendo utilizar, por exemplo, para monitorar inundações em qualquer país, ou para medir a umidade do solo para prever a agricultura em determinado ano. Nos Andes as neves estão derretendo, então, com as imagens da NASA se pode saber o quanto diminuiu a neve e com isso saber a quantidade de água estará disponível da neve durante o ano. Ou por exemplo, numa situação de inundação, um povo ou cidade pode saber qual rio está maior inundado e que comunidade mais irá sofrer com essa inundação. Com esses dados se pode tomar decisões sobre evacuações, por exemplo, ou qual impacto sofrido por essa população”.

Herlon Goelzer de Almeida, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional e coordenador do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) pela margem esquerda, destacou que a atividade faz parte dos objetivos do Centro que recentemente foi chancelado oficialmente como de Categoria 2 da UNESCO:

“Como um Centro que leva uma referência internacional em Hidroinformática, e agora reconhecido pela UNESCO, essa é uma das funções que ele deve investir, no sentido de constituir redes de interessados, formar pessoas na América Latina e Caribe, e contribuir para o desenvolvimento. Com gestão territorial, melhor conhecimento das ferramentas para a gestão de água e outros instrumentos de gestão territorial, acredito que vamos avançar e dar um passo importante nesse eixo de atuação, que seria a formação de pessoas e contribuir para a formação de quadros que tenham o domínio dessas ferramentas e conhecimentos”.

O diretor técnico da Fundação PTI, Claudio Osako, ressaltou importância da utilização de ferramentas livres para o compartilhamento e popularização do conhecimento:

“Isso é um dos frutos do próprio reconhecimento da UNESCO do CIH como um Centro de Categoria 2. Também cabe ressaltar a utilização das ferramentas livres que permitem que muito mais pessoas acessem, instituições que as vezes não dispõem de tantos recursos conseguem desempenhar trabalhos de bom nível graças às ferramentas livres. E o CIH é um disseminador de ferramentas livres. Essa capacitação especial, no meu ponto de vista, já quebra algum paradigma, pois estamos fazendo uma capacitação América Latina e Caribe. Isso nos coloca como referência para as pessoas que vão para os países que estão participando aqui e conseguir trazer cursos de alto nível. E o fato da NASA disseminar esse conhecimento é digno de se tomar nota. Conhecimento, hoje em dia, deve se disseminar, do contrário ele não tem valor”.

Durante oito dias, os participantes terão noção da relação do sensoriamento remoto com temas como estimativas de precipitação, evapotranspiração e monitoramento de fenômenos extremos. A programação segue até o dia 21, com a presença de representantes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Chile, Costa Rica, Colômbia, Nicarágua, Cuba, México, Belize, Guatemala, Peru, Estados Unidos, Bélgica e Inglaterra.

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