Esta bactéria come metais tóxicos e “defeca ovos de ouro”, deixando os cientistas perplexos

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Por: www.jornalciencia.com

Você já ouvir falar da história do Ganso de Ouro, certo? Um conto, escrito pelos irmãos Grimm, que fala sobre um homem pobre e solitário que, com a ajuda de uma fada, encontrou sua riqueza em um ganso que botava ovos de ouro.

 

Pois bem, embora não exista o ganso ou fada madrinha, a verdade é que na natureza há uma bactéria capaz de fazer basicamente a mesma coisa. Ao absorver compostos ricos em metais tóxicos, ela consegue transformá-los em pequenos “ovinhos” de ouro, segundo informações da IFLScience.

 

A bactéria em questão é chamada de Cupriavidus metallidurans e pode ser encontrada em solos ricos em elementos tóxicos. Em um estudo relatado na revista Metallomics, um grupo internacional de pesquisadores sintetizou os processos moleculares que permitem as bactérias produzir esse ouro biológico. Basicamente, tudo está relacionado com a forma como o cobre e o ouro são tratados no solo.

Quando em grandes quantidades, o cobre e o ouro podem ser tóxicos. Mas a C. metallidurans evoluiu para precisar do cobre para sobreviver. O solo em que vivem é rico em metais pesados ​​tóxicos, que a bactéria converte em uma forma mais fácil de ser “digerida”. Assim, quando há muito cobre, ela ativa uma enzima especial chamada CupA, que pode bombear todo o excesso do elemento para mantê-la saudável.

 

Além dos metais pesados ​​tóxicos, as condições de vida nesses solos não são ruins”, disse o professor Dietrich H. Nies, autor sênior do estudo e microbiologista Martin Luther University Halle-Wittenberg. “Há hidrogênio suficiente para conservar energia e quase nenhuma concorrência. Se um organismo optar por sobreviver aqui, tem que encontrar uma maneira de se proteger dessas substâncias tóxicas“.

 

No entanto, o momento peculiar só acontece quando o ouro está presente. Como os compostos derivados de ouro ee cobre são extremamente tóxicos, a bactéria precisa se proteger. Para fazer isso, a CupA é inativada e uma nova é produzida, a CopA. Esta é capaz de transformar os compostos de cobre e ouro em formas que são mais difíceis de serem absorvidas.

“Isso garante que menos compostos de cobre e ouro entrem no interior celular”, explicou Nies. “A bactéria sofre menos com a toxidade e a enzima que bombeia o cobre pode eliminar o excesso dele sem impedimento. Outra consequência: os compostos de ouro que são difíceis de absorver se transformam, dentro da área externa da célula, em ovinhos de ouro de apenas alguns nanômetros em tamanho”.

 

Curiosamente, a C. metallidurans é responsável pela formação do depósito de ouro secundário, que emerge da quebra de minérios mais antigos que foram criados geologicamente.

[ IFL Science ] [ Fotos: Reprodução / IFL Science ]

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